O silêncio do consumidor satisfeito está a custar caro ao mercado angolano

Wilker Ngola ·

Imagina este cenário. Foste a um restaurante em Luanda. A comida chegou quente, no tempo certo, o preço era justo e o empregado ainda se lembrou do teu nome da última vez. Saíste satisfeito.

O que fizeste com isso?

Provavelmente mandaste uma mensagem para o grupo de família. Talvez recomendasses a um amigo que perguntou. E depois esqueceste.

O restaurante nunca soube que ganhou. E a próxima pessoa que pesquisar por "bom restaurante em Luanda" não vai encontrar nenhum registo do que viveste.

O problema não é só reclamar quando corre mal

Falamos muito sobre reclamações. Há guias sobre como reclamar, plataformas para reclamar, números para ligar quando algo corre mal. É importante — o consumidor tem de ter voz quando é maltratado.

Mas há um outro lado que raramente é discutido: o custo do silêncio de quem ficou satisfeito.

Pesquisas internacionais sobre comportamento do consumidor indicam que cerca de 9% do volume de negócios de uma empresa é influenciado por avaliações online — e que as avaliações negativas têm peso desproporcional quando não são contrabalançadas por avaliações positivas. Para cada cliente insatisfeito que reclama, há vários satisfeitos que não dizem nada.

O resultado: a percepção pública de uma empresa fica distorcida. As empresas que mais reclamações recebem parecem piores do que são. As que tratam bem os clientes mas não têm registo disso ficam invisíveis.

Em Angola, o problema é amplificado

O mercado angolano tem características que tornam este desequilíbrio ainda mais acentuado.

A maioria das pequenas e médias empresas não tem presença digital estabelecida. Não têm Google Business com centenas de avaliações. Não têm perfis activos em plataformas de reputação. O que existe são páginas de Instagram, grupos de WhatsApp, e o boca-a-boca tradicional — que funciona, mas que não escala, não é pesquisável, e desaparece quando a conversa muda.

Uma clínica em Viana que trata bem duzentos doentes por mês, mas onde nenhum deles deixa registo público disso, parece exactamente igual — para quem está a pesquisar online — a uma que maltratou vinte.

O mérito sem registo não existe. Pelo menos não na internet, que é onde cada vez mais as decisões de compra começam.

O que muda quando o consumidor satisfeito fala

Uma avaliação positiva não é apenas um elogio. É informação. É um sinal para quem ainda não conhece a empresa de que vale a pena tentar. É um contrapeso para a reclamação que alguém deixou num dia mau.

E para a empresa, é mais do que reputação: é orientação. Saber o que os clientes valorizam — o atendimento rápido, a qualidade do produto, a honestidade no preço — é informação que as empresas pagam caro para obter e que os consumidores entregam de graça quando têm um sítio onde o fazer.

Porque é que os angolanos não avaliam (ainda)

A resposta honesta tem várias camadas.

Primeiro, o hábito. Avaliar online não faz parte da rotina da maioria das pessoas em Angola como já faz noutros mercados. Não é preguiça — é simplesmente um comportamento que ainda não foi instalado.

Segundo, a falta de plataformas de referência. Para avaliar, precisas de ter um sítio para fazê-lo. Plataformas internacionais como o TripAdvisor ou o Google Maps têm cobertura limitada e muitas vezes desactualizada para o mercado angolano.

Terceiro, a percepção de que não adianta. Se nunca viste uma empresa responder a uma avaliação, se nunca viste um problema ser resolvido por causa de um comentário público, começas a achar que o exercício não serve para nada.

A ConfereQ foi construída para atacar estes três problemas ao mesmo tempo. Uma plataforma feita para Angola. Onde as empresas existem e respondem. Onde os problemas ficam registados, acompanhados e fechados — não pela empresa, mas pelo consumidor que os viveu.

A próxima vez que fores bem tratado

Não tens de escrever um romance. Duas frases chegam. "Fui bem atendido, preço justo, voltarei." Isso é o suficiente para avisar a próxima pessoa. Para dar crédito a uma empresa que o merece. Para equilibrar o mercado.

Conta-nos a tua experiência em confereq.com

Diz o que viveste. Em confereq.com.

Qual é o impacto do silêncio do consumidor satisfeito no mercado angolano?

O silêncio do consumidor satisfeito está a prejudicar o mercado angolano, pois as empresas perdem reconhecimento e as avaliações negativas têm um peso desproporcional. Isto distorce a percepção pública das empresas e anula o mérito das que oferecem bons serviços.